Um breve retrospecto da história do cinema


A história do cinema é bastante longa e complexa, e seria impossível (e injusto) resumi-la em um único post. Porém, olhando em retrospecto esses quase 150 anos de existência, conseguimos perceber alguns momentos importantes que transformaram a forma de pensar, produzir e consumir cinema ao longo das décadas.

Na verdade, a própria definição de quando surgiu o cinema é, de certa forma, polêmica.

Como muitas das grandes invenções da humanidade, não existe um consenso entre os estudiosos. Entre as várias figuras que contribuíram para a criação do cinema podemos incluir George Eastman, famoso pela Eastman Kodak, um dos criadores do filme, os irmãos Lumière que, em 1895 que desenvolveram uma câmera de filme prática, Thomas Edison, que projetou o filme e construiu um estúdio, Eadweard Muybridge, que em 1877 usou uma série de câmeras para tirar fotos com frações de segundo e Louis Le Prince, que criou “Roundhay Garden Scene”, um filme de dois segundos de 1888 que sobrevive até hoje.

Independente de quem seja considerado o “inventor” do cinema, o fato é que a sétima arte é feita por múltiplas mãos e moldada através dos anos por acontecimentos históricos, novidades tecnológicas e cérebros criativos e curiosos. Vamos ver, então, quais foram os principais momentos da história do cinema?

O cinema mudo (décadas de 1880 – 1920)

É curioso imaginar que o cinema, nos seus primeiros anos, não tinha som. Porém, mesmo assim foi uma revolução na forma das pessoas consumirem o entretenimento. Mais barato que o teatro, o cinema podia atingir muitas pessoas de uma vez, e não apenas poucas dezenas a cada espetáculo, que também exigia a presença dos atores ao vivo.

Naturalmente, foi exigido na época bastante investimento dos estúdio e diretores para arcar com toda a equipe e tecnologia necessárias para se fazer um filme.

Relembre a trajetória de Charlie Chaplin, o maior ator do cinema mudo ·  Rolling Stone
Charles Chaplin

Na Alemanha, os filmes estrangeiros foram banidos depois de 1916 em função da Primeira Guerra Mundial. Por causa disso, os cineastas expressionistas criaram obras-primas como “Metropolis” de Fritz Lang e “O Gabinete do Dr. Caligari” de Robert Wiene. Em 1925, Sergei Eisenstein lançou seu incrível “Battleship Potemkin.

Os filmes falados (1927)

A nova era começou em 1927, com o lançamento de “The Jazz Singer”, sincronizando som e imagens pela primeira vez.

Vinte e cinco anos depois, a comédia “Singin’ in the Rain” (1952) retrata o período de difícil mudança para filmes falados quando várias estrelas do cinema mudo ficaram desempregadas, já que passou a ser mais importante a interpretação pela voz do que linguagem corporal e expressão facial.

Walt Disney (década de 1920)

Os desenhos animados em movimento, criados por Walt Disney na década de 20, eram pintados diretamente em células de filme. Os filmes tiravam as pessoas da realidade, o que se tornou um sucesso logo no começo. Em 1928, Disney produziu “Steamboat Willie” e sua grande estrela, Mickey Mouse. Na década de 1940, foram lançados filmes como “Pinóquio”, “Fantasia” e “Bambi”.

Mickey Mouse completa 90 anos em novembro - Jornal Folha Metropolitana
Mickey Mouse, da Walt Disney

O terror (1931)

Os filmes de terror existiram praticamente desde sempre na história do cinema, mas renasceram na década de 1930. Clássicos como “Drácula”, “Frankenstein”, “A Múmia”, “O Homem Invisível”, “King Kong”, “A Noiva de Frankenstein” e “The Werewolf of London” foram lançados com curto intervalo de tempo entre eles.

Os estúdios (1927-1948)

No final dos anos 40, processos antitruste derrubaram a hegemonia de poder que os grandes estúdios tinham na época. MGM, Paramount, RKO, Columbia e Warner Brothers dominavam a cena e controlavam praticamente toda a indústria cinematográfica.

A chegada da televisão (1950)

A popularização da televisão é fundamental dentro da história do cinema. A partir da década de 50, os lares americanos passaram a contar com o aparelho em casa. As cerca de 3 milhões de TVs que existiam no início da década se multiplicaram para 55 milhões ao final. Os preços da televisão passaram de US$ 500 para cerca de US$ 200.

Os programas de televisão competiam diretamente com a produção de filmes, o que fez a venda de ingressos cair. E esse tipo de mudança a gente continua vendo em pleno século 21. Com a popularização da internet e dos streamings, muitas pessoas preferem assistir aos filmes em casa do que ir ao cinema, e Hollywood teve que se adaptar mais uma vez aos novos cenários.

A nova Hollywood

A “Era de Ouro de Hollywood” é conhecida como o período de 1910 a 1969. Ultimamente, porém, alguns críticos de cinema argumentam que a verdadeira Era de Ouro ocorreu na década de 1970, quando filmes espetaculares como “O Poderoso Chefão”, “O Exorcista”, “Tubarão”, “Apocalypse Now” e “Star Wars” foram lançados.

O Poderoso Chefão | Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba e Região
“O Poderoso Chefão”

A Nova Hollywood viu uma mudança de estúdios para diretores na visão por trás de filmes com estrelas como Stanley Kubrik, Steven Spielberg, Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e outros que exerceram um poder e influência significativos na indústria.

Os cineastas negros (1971)

Melvin Van Peebles, assim como outros cineastas negros, não tinham esaço em Hollywood naquela época. Ele se mudou para a França quando ficou sabendo que o país subsidiava filmes feitos em francês. Apendeu a língua e começou a fazer seus filmes. “Story of a Three Day Pass”, de 1968, chamou a atenção de Hollywood e Peebles recebeu um contrato da Columbia Pictures para fazer “Watermelon Man”.

Apesar do sucesso do filme, os estúdios não deram a Melvin o controle que ele queria pois não acreditavam que filme sobre negros teriam audiência. O diretor arrecadou dinheiro, escreveu, dirigiu e atuou em “Sweet Sweetback’s Baadasssss Song”, um filme de 1971 sobre um homem negro acusado de um crime que não cometeu fugindo da lei. O filme arrecadou US$ 10.000.000 e junto com “Shaft”, lançado no mesmo ano, provou que Hollywood estava errado.

A MTV (1983-1990)

Lançada em 1981, a MTV rapidamente se tornou um sucesso. Apesar de ser um canal de música, foi também uma enorme força para a criação e comercialização de filmes curtos, alguns dos quais com valores de produção incrivelmente altos.

Bollywood (1995)

Enquanto o mundo ocidental sempre acreditou que Hollywood era o centro do universo cinematográfico, em termos de produção e receita, Tinseltown está é inundada pela indústria cinematográfica indiana, que vende o dobro de ingressos todos os anos e produz três vezes mais filmes. O cinema indiano existe há muito tempo, com uma Era de Ouro na década de 1940, mas o que é chamado de “New Bollywood” ganhou reconhecimento mundial fora da Índia no final dos anos 1990 e início dos anos 2000.

YouTube (2015)

Lançado em 2005, o YouTube ganhou, ao longo do tempo, um número infinito de canais que podia passar o que você quisesse, quando quisesse ver. Assim, em vez de ter que esperar que a MTV exibisse “Thriller”, o usuário podia dar play a qualquer momento.

Uma lista da Forbes das 20 estrelas do Youtube mais bem pagas de 2020 inclui Stevin John, que faturou US$ 17 milhões em 2019, e Ryan Kaji, um menino de 9 anos que faz resenhas de brinquedos e experimentos de ciência (com impressionantes 41,7 milhões de inscritos em seu canal) e ganhou US$ 29,5 milhões.

YouTuber de 9 anos é uma máquina de fazer dinheiro!
O youtuber Ryan Kaji

Ainda não se sabe o impacto do YouTube no cinema ao longos das próximas décadas, mas sem dúvida não pode ficar de fora dessa retrospectiva.

A TV a cabo renasce

Até pouco tempo atrás, o sonho de qualquer escritor era que um grande estúdio de Hollywood se interessasse pelos seus livros e produzisse um filme sobre ele. Porem, depois do fenômeno “Game of Thrones”, onde a HBO passou 73 horas distribuídas em 7 temporadas contando a história dos livros “As Crônicas de Gelo e Fogo”, de George R. R. Martin, as coisas mudaram.

Todo mundo percebeu que é completamente possível contar longas e complexas histórias baseadas em livros de sucesso na TV aberta, desde que feitos os devidos investimentos. Em 2019, a Netflix produziu impressionantes 371 títulos originais e mudou a história do cinema como a conhecemos.

Qual é a sua era do cinema preferida? Conte nos comentários!

Receba nossos artigos!
Nós respeitamos sua privacidade.