Como Psicose mudou nossa forma de ir ao cinema

Se você nasceu no Planeta Terra, já deve ouvido falar em Psicose. O livro de Alfred Hitchcock foi publicado em 1959 e fala sobre a perturbada relação entre Norman Bates, sua mãe e um assassinato. Em 1960, a sangrenta história virou filme. Se você ainda não conhece Psicose, corra! A gente te espera 😉

Brincadeiras à parte, Psicose mudou a história do cinema. Se você está esperando um texto cheio de técnicas de filmagem, truques de enquadramento, dicas de roteiro e direção que fizeram com que Psicose virasse uma fonte de referência para futuros cineastas, sentimos em desapontá-lo! Vamos deixar essas questões para um outro momento. Psicose foi tão grande que mudou, inclusive, a forma como as pessoas iam ao cinema! Acredita?

Naquela época, os cinemas passavas os filmes sem ter uma agenda de programação. Você simplesmente chegava ao cinema, comprava o ingresso para o filme que queria ver e entrava na sala. Se o filme já tivesse começado, tudo bem. Você se sentava, assistia a partir dali e esperava a próxima exibição para pegar aquele comecinho que faltou. Aí, depois de assistir somente o que tinha perdido, você levantava e ia embora. Simples assim.

Nem dá para imaginar isso nos dias de hoje, que você compra ingresso não só com horário marcado, mas também o lugar!

Porém, quando Psicose foi sair nos cinemas, Hitchcock tomou duas ousadas e inusitadas atitudes: não ofereceu o filme para a crítica assistir com antecedência e criou uma regra de horário de exibição nas salas de cinema.

Afinal, trata-se de uma história de terror e suspense, onde existe toda uma construção de narrativa e acontecimentos e que culminam no ponto alto da trama, na grande revelação sobre os personagens. Se começassem a aparecer spoilers da crítica, ou se você entrasse na sala no meio do filme e pegasse “o bonde andando”, toda a magia e surpresa da história estariam completamente comprometidas.

A grande sacada de Hitchcock foi convencer os cinemas a colocar horários de exibição específicos, bem como avisos de que ninguém poderia entrar ou sair durante o filme. Apesar de torcerem o nariz, os cinemas aceitaram.

“Nós não vamos permitir que você traia a si mesmo! Você deve assistir a Psicose do início ao fim ara aproveitar completamente. Por isso, não espere ser admitido no cinema depois do começo de cada exibição. Nós dizemos que ninguém – e queremos dizer ninguém mesmo – nem o irmão do gerente, o Presidente dos Estados Unidos ou a Rainha da Inglaterra (Deus a abençoe)!”

E isso mudou tudo.

Psicose acabou ganhando um status de exclusividade. Afinal, um filme que passava com hora marcada e era cheio de restrições quanto a entrar e sair da sala, deveria ser bom, né? E era.

Isso acabou gerando uma expectativa nas pessoas. Formavam filas nos cinemas. Acabou, sem querer (ou querendo?), virando um grande caso de marketing positivo e, além de ajudar a transformar Psicose em um grande sucesso para muito além do seu tempo, mudou a forma como consumimos cinema para sempre.

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