Como a internet mudou a TV

Com mais de 139.000.000 de brasileiros conectados à internet e mais de 90.000.000 consumindo vídeos e conteúdo todos os dias, seria impossível afirmar que todos os outros meios de comunicação sairiam ilesos em relação ao comportamento de consumo de conteúdo.

A internet tem características únicas, muito diferente dos demais veículos, que redefiniram a forma como as pessoas pensam, absorvem, discutem, criticam e/ou idolatram certos conteúdos, pessoas e marcas.

É claro que a internet com seus vídeos no YouTube, Facebook, Instagram ou a nova e implacável onda de streaming de conteúdo em séries e filmes como o Netflix tem muito em comum com a TV, como a intenção constante de captar a atenção e segurar a audiência para ver o próximo episódio. A essência da coisa continua a mesma. O que mudou foi a forma. E a TV tem tentado se ajustar a esse novo comportamento, observando as principais características da internet.

Na internet, com os serviços de streaming por exemplo, é possível “maratonar” séries, ou seja, consumir tanto conteúdo quanto quiser, sem ficar preso aos conteúdos programados diários e interrompidos por milhares de comerciais no meio.

Outro grande impacto foi justamente a liberdade de conteúdo que a internet permite. Um criador de conteúdo não precisa “fazer render” um conteúdo até deixa-lo extremamente cansativo só pra encaixar na grade de programação e atender às metas de publicidade. Cada criador de conteúdo faz seus vídeos no tamanho que achar conveniente, que estiver de acordo com o que realmente precisa passar de mensagem, sempre balizado pela audiência que vai permitir ou não, em forma de views, interações, comentários, que aquele conteúdo ganhe notoriedade. Ou seja, o conteúdo tem o tamanho e a forma que ele precisa ter para se manter vivo e relevante e não tem que ficar preso aos formatos rígidos da TV.

A autenticidade, realidade, proximidade que os vídeos online trazem também são um fator de grande diferenciação. Por mais que a TV se esforce para produzir conteúdos “ao vivo”, que trazem uma boa dose de “realidade”, essa sempre foi e sempre será uma “realidade de palco”, com alguns artifícios, edições, cuidados que, de um lado, sempre foi necessário para a TV, de outro, criam barreiras para as pessoas realmente acreditarem que aquele conteúdo é autêntico, natural. Isso quebra o encanto, a relação de confiança e transparência. Na internet, um cara com uma câmera na mão mostrando como a vida dele é de verdade, sem muitas edições, planejamentos e nem grandes produções, pode obter uma audiência maior que jogos de futebol da TV aberta.

Interação é uma das palavras-chave do conteúdo digital e causa arrepios na TV, que vem se movimentando para conseguir abrir espaço para interações reais, em tempo real. Com as lives e stories, é possível ver os comentários em tempo real e até mudar o conteúdo inteiro que estava planejado apenas para atender às opiniões e sugestões e fazer um conteúdo mais vivo. Os vídeos não são mais passivos. A audiência quer participar, contribuir, fazer parte do conteúdo. Ninguém é apenas consumidor ou produtor de conteúdo. Todos somos os dois ao mesmo tempo, mesmo quando um conteúdo de outra pessoa está sendo produzido, eu posso interferir e mudar seu rumo.

A TV tem se esforçado, produzindo conteúdos mais curtos e dinâmicos, como mini-séries, séries em menos capítulos. Tem levado celebridades da internet para seus programas. Tem aumentado o volume de interações com o público. Está produzindo conteúdo para a internet em seus canais próprios de streaming.

Enfim, depois de quase meio século ditando as tendências de consumo de conteúdo, a TV está “correndo atrás” para se manter relevante para as pessoas, pois sabe que hoje é o veículo com maior alcance nacional, mas a internet vem ganhando espaço muito mais rapidamente do que eles vão conseguir suportar se mantiverem-se estagnados nos modelos de 50 anos atrás.

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